Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

It's all about the money

Wordle: Untitled
publicado por Consumering às 11:04
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

O que ninguém avisou.

A matemática não perdoa. Dentro de muito pouco tempo, talvez ainda este ano, o Euro (pelo menos nos PIIGS) terá um colapso quase-fatal no qual as suas economias endividadas vão cair num default real. Um episódio que, por sua vez, arrastará o perdulário sistema bancário europeu para perdas épicas.

 

Contrariamente ao que se possa imaginar, nada disto será catastrófico a ponto de colocar em causa o mundo como o conhecemos. Quando a poeira assentar, vai-se descobrir que as pessoas continuam a querer viver melhor, o sistema bancário é muito menos útil do que se quer fazer parecer e a dívida não é criação de riqueza. Mas até lá, vai ser muito difícil suportar a correção.

 

O ajuste que se seguirá ao colapso do Euro dos PIIGS será longo e doloroso. Os governos da UE vão se apostar, como agora e até à última, em adiar o inevitável. Ficarão assim, até que for tarde demais. Só então passarão ao estágio seguinte da governação: o salve-se quem puder. Durante todo este tempo, políticos e situacionistas manterão o dedo apontado a quem estiver de fora (especuladores, agências de rating e quejandos) apenas para desviarem das suas consciências o peso da sua própria responsabilidade.

 

Mas o ajuste vai ter se realizar. As economias europeias vão ter de desmamar uma quantidade de gente pouco ou nada qualificada com rendimentos demasiado altos e com demasiadas garantias vitalícias. Vão ter de ajustar a riqueza de cada um ao que consegue produzir. Vão ter de tornar as suas produções competitivas. Pois o mundo não deixará de ser global só porque é desconfortável para quem vive demasiado bem.

 

Enquanto um chinês trabalhar por muito menos dinheiro do que um europeu, os empregos vão atravessar o mundo em busca de produtividade real. Assim, o processo de empobrecimento da Europa só terminará quando os Europeus deixarem de ser menos produtivos que os Chineses. Será um processo longo e com vários obstáculos.

 

Infelizmente, o que poderia ser o maior contributo para uma nivelação suave da competitividade mundial, o enriquecimento dos chineses, estará limitado pela escassez de recursos, principalmente da energia. Com o petróleo que há hoje, os chineses não podem todos ter um carro e como tal, para se nivelar a produtividade real entre chineses e europeus, os europeus vão acabar por abdicar dos seus próprios automóveis.

 

Não parece que esteja ao virar da esquina uma nova fonte de energia abundante e comparativamente barata. Então, sem a energia necessária para enriquecer os chineses, serão as classes improdutivas da europa que vão empobrecer até ao ponto de diluírem a sua abundância excessiva. Num processo de estagnação à japonesa, que se pode arrastar por décadas ou mesmo gerações.

 

Durante a correcção, quem se vai safar serão duas classes de pessoas. Quem tiver petróleo ou gás, pois tem na mão a chave do equilíbrio de produtividade. Ou quem for suficientemente produtivo para poder triunfar do outro lado do mundo. Será injusto, mas apenas na riqueza que decorrer das reservas naturais de energia. Os demais biliões de humanos, estarão entregues a si próprios e à sua capacidade para ganharem dinheiro.

 

Não contem com os governos, nem com os sistemas bancários, nem como os políticos, nem com a kindness of strangers. Sempre que os tempos apertam, cada um cuida de si e as coligações só servem para excluir os estranhos. Se alguma solução houver, ela está na competição. O endividamento colectivo que sustem o actual desnível de produtividade este-oeste está a chegar ao fim. Com o incumprimento da Grécia, ou da Itália, que estão apenas adiados e inevitáveis, acelera-se o processo de correção de competitividade. Onde quem vive à conta, vai ficando progressimente mais pobre.

 

Para sobreviver num mundo mais plano, será preciso ser competitivo. Será preciso que cada pessoa (sem recurso ao crédito) consiga criar riqueza suficiente para sustentar os seus 3 ou 4 dependentes não produtivos (crianças, reformados, doentes, funcionários públicos). Ou por outra, será preciso que esses indivíduos não produtivos encolham as suas necessidades de suporte na proporção de serem sustentados por uma só pessoa. Ou uma combinação dos dois, até ao equilíbrio em que quem produz não esteja sufocado por quem consome.

 

O consumo dos outros mantem-se como a única real forma de riqueza. Com ou sem crise de crédito, as pessoas querem iphones e a Apple fará fortunas a vender o que todos os querem comprar. O mesmo para a Zara, para o Ikea e para todos os outros produtos e serviços cuja superioridade é reconhecida pelos consumidores do mundo. No futuro essa será a única e derradeira fonte de competitividade, melhores produtos, ou a capacidade de fazer melhores produtos, reconhecidos pelo mundo. 

 

O resto, as ilusões do valor, dos monopólios e carteis mal disfarçados, das decisões por compadrio e das compras com subsídios. Aquilo que compõe mais de metade da presente actividade da Europa. Estão condenados a empobrecer, esvaziando-se progressivamente, até ao ponto em que o custo que tem, não será mais um peso para o mundo. Quando as despesas improdutivas (como tudo o que é subsidiado) forem apenas uma gota no oceano, enfim deixarão de emagrecer. Até lá, e ainda falta muito, haverá um longo e doloroso empobrecimento ou ajuste, para usar uma terminologia mais amigável.

 

A nível individual, uma vaga recomendação. Afastem-se o mais possível dos subsídios e rendimentos garantidos. Pressuponham que tudo quanto é direito adquirido só irá emagrecer e procurem por rendimentos globais e livres. Não é uma receita de execução simples, não há uma bimby para a economia caseira. Mas é a única solução: Poupar. Vender Euros. Exportar. Emigrar. Estamos todos avisados.

publicado por Consumering às 17:51
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Sábado, 19 de Março de 2011

24-3-2024 – A anunciada Extinção da Direcção de Marketing

(especial daqui a 13 anos do Meios&Publicidade)

 

Por uma vez apenas celebrar-se-á, a 24 de Março de 2024, a extinção oficial da Direcção de Marketing. Assinalando enfim o fim de uma estrutura e de um orçamento arcaicos. Acaba-se assim, de vez, com a agonia dos antigos métodos e preconceitos, que, apesar de obsoletos, ainda teimavam em reaparecer.

 

Há já muito tempo que as marcas mais bem sucedidas deixaram de anunciar em busca do fútil reconhecimento. Desde que se demonstrou que as marcas mais desejadas do mundo haviam recolhido hordas globais de seguidores fieis sem precisarem de gastar dinheiro com publicidade, a notoriedade foi riscada dos orçamentos empresariais. O Google, a Zara, o Facebook, a Apple, foram as pioneiras, as primeiras de muitas mais marcas fenómenos mundiais sem gastos de publicidade. Depois delas, a comunicação comercial deixou de exibir vaidosos argumentos para procurar servir os consumidores com propostas interessantes.

 

Jogados no mesmo caixote sem reciclagem foram os desinspirados estudos de mercado, também eles ultrapassados. Esses estudos, incapazes de exceder as expectativas dos consumidores, falharam repetidamente em surpreender, feito que é uma condição básica para um produto ser bem sucedido. A sequência imprevisível de ipods, iphones e ipads que transformaram a Apple na segunda empresa mais valiosa do mundo, foi o princípio do fim dos estudos de simulação. Sem originalidade, os seguidores dos estudos, foram arrasados numa destrutiva guerra de preços, incapazes de competir com as inovações ousadas dos produtos e serviços criados por auto-suficientes equipas experimentalistas.

 

Os vencedores, os criadores de melhores produtos, aqueles que vão além da banalidade, são igualmente bons em qualquer parte do mundo. Tão bons que os consumidores adoptam com velocidade sempre crescente, as criações surpreendentes. Depois do Facebook ir de zero a 500 milhões em poucos meses,  a velocidade de adopção só aumentou, esmagando como insectos as pequenas operações regionais indiferenciadas, inutilizando os carteis locais, mais os seus favorecimentos governamentais. Com o descalabro das empresas regionais, desapareceram as agencias de publicidade locais e com estas, os seus fornecedores de eleição, meios regionais de publicidade sem efeito garantido.

 

Em 2024, apesar de quase ninguém ter saudades do marketing de antigamente, ainda há muito quem se lembre de como era o tempo em que se vendiam maus produtos com apenas anúncios chamativos ou se negociava entre amigos uns descontos de mais de 70% em espaço de publicidade sem resultado. Os Directores de Marketing desses tempos antigos pareciam ser pessoas importantes, mas agora, quando comparados com os criadores de produtos ou serviços excepcionais com aceitação mundial, sabemos que os antigos, os do plano anual, não passavam senão de amadores, condenados ao dia de hoje, condenados à extinção.

publicado por Consumering às 03:11
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Terça-feira, 15 de Março de 2011

Como vencer (leia-se vender) no Brasil

O mercado brasileiro apresenta-se aos portugueses como a nova árvore das patacas: 200 milhões de pessoas sedentas de consumo, uma economia em forte expansão, aparentemente inesgotáveis recursos naturais e fortes ligações culturais, fazem do Brasil o destino predilecto para os gestores Portugueses em busca de internacionalização.

 

Para mim não foi diferente e ao fim de um ano de trabalho, o Brasil já se havia tornado na geografia mais valiosa para a empresa, confirmando as melhores expectativas. O que pode ser interessante analisar e quem sabe replicar.

Em primeiro lugar as dificuldades. Pois que, se o Brasil é uma economia de oportunidades aparentemente infinitas, há os detalhes menos bons que convém considerar:

 

5 dificuldades:

1)   Fortes concorrentes locais – O potencial do Brasil não é uma novidade e atrai as grandes empresas do mundo. O que talvez não seja tão evidente é a qualidade dos agentes locais que, apesar de ajudados pelas barreiras à importação, são capazes de competir de igual para igual com qualquer entrante. No Brasil constroem-se aviões comerciais, não é uma terra de cegos.

2)   Escassez de mão de obra qualificada – Os bons profissionais do Brasil são verdadeiramente excelentes, mas são também insuficientes para a procura, escassez que é reconhecida com salários executivos muito elevados. Acresce que o desequilíbrio entre oferta e procura é terreno fértil para a incompetência, a ociosidade e uma intensa boémia que podem apanhar desprevenidos os parceiros internacionais.

3)   Desesperantes Barreiras Burocráticas – Mesmo os portugueses, habituados a complicações desnecessárias, conseguem exasperar-se com o nível de complexidade, redundância e imprevisibilidade da burocracia brasileira. Barreiras que não só atrapalham os negócios como os podem até inviabilizar.

4)   Impostos muito altos – Os impostos no Brasil são geralmente altos, além de complexos e apostados em dificultar as importações. O estado representa um sobrecusto significativo, não só nas dificuldades burocráticas como também nos valores que cobra.

5)   Custos locais inflacionados – Já não é possível esconder, o Brasil está a passar por uma bolha especulativa com a resultante inflação. Os preços de tudo estão altos e são agravados por um Real valorizado, tornando proibitivos muitos bens e serviços locais.

 

Conhecidas as dificuldades, há também, e por outro lado, alguns efeitos que podem ajudar. Assim sendo, aqui ficam algumas ideias que foram valiosas para e que a outros empresários podem interessar.

 

5 soluções

1)   Oferecer Resultados Adicionais  - Com a economia em acelerada expansão, as empresas brasileiras sentem que não estão a aproveitar todas as oportunidades que gostariam de abarcar. Assim, ao invés de procurar concorrer com os operadores locais (que já vimos são competentes) as empresas portuguesas devem concentrar-se em trazer resultados e experiências adicionais. Poupam-se à nem sempre vantajosa comparação com os locais e conseguem tocar num ponto sensível dos clientes.

2)   Escolher um sócio não-executivo local – Os portugueses são europeus e alvos da reciprocidade das barreiras à entrada de Brasileiros na Europa. Um estrangeiro pode facilmente demorar mais de um ano a ter uma conta bancária, visto de trabalho e uma empresa para facturar. Assim sendo, sem a colaboração de um procurador de confiança que permita à empresa agir como brasileira, a entrada no Brasil pode fracassar.

3)   Sempre Insistir e Reforçar – Apesar da língua ser a mesma, a forma de usar a língua é diferente, gerando pequenos mal entendidos e expectativas desalinhadas que são sempre desagradáveis. Felizmente a proverbial boa disposição dos brasileiros fá-los bastante tolerantes à insistência e repetição. Mais ainda, por educação, os brasileiros têm dificuldade em dizer “não”, ora, para um vendedor, a ausência de um “não” é motivo suficiente para insistir até conseguir um “sim”.

4)   Margens Elevadas e Produção local – A tentação de compensar menor margem com o volume do imenso Brasil é um risco inaceitável para quem está a chegar. Altos impostos, preços em escalada e custos de contexto difíceis de antecipar, recomendam aos  empresários Portugueses margens operacionais superiores às que estão habituados a praticar. Acrescem ainda as restrições à importação, que recomendam que os negócios sejam feitos no Brasil, com o máximo possível de integração (produção) local.

5)   Ser Orgulhosamente Português – Os brasileiros gostam tanto de contar anedotas de portugueses como de se gabar da sua ascendência lusa.  Ao nível dos negócios, não se encontra ressentimento em relação a Portugal. Pelo contrário, os brasileiros têm a humildade de tomar os mercados europeus (Portugal incluído) como sendo mais sofisticados que o seu e fonte de experiências que devem aproveitar. Melhor para os Portugueses que podem assim negociar de igual para igual, desde que tenham o sentido de humor para se rirem das suas próprias anedotas.

 

Muito mais haveria para dizer, verdades absolutas como que a sorte sorri aos audazes e que para ter inspiração é preciso muito transpirar, ou ainda que, sem um bom produto não vale a pena nem tentar. Mas essas verdades aplicam-se em todo o mundo, não sendo, no Brasil, nem mais nem menos importantes.

publicado por Consumering às 01:13
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Terça-feira, 8 de Março de 2011

Onde está o dinheiro?

 Imagine que, por algum acaso da sorte, ou sorte do acaso, tem acesso ao usufruto de uma máquina de fazer dinheiro. Uma geringonça, mais ou menos bem oleada capaz de fabricar sem esforço o vil metal pelo qual se mete em tantos trabalhos.

Postos perante semelhante circunstâncias, a maior parte de nós teria nesse momento a moderação de um Mugabe, a discrição de um Kadafi, a simpatia de um Kim Jong Il. A maior parte de nós iria perder a cabeça, e entregar-se ao usufruto cada vez menos razoável dessa maldita benesse de poder fabricar dinheiro.

 

Na verdade, são muito poucas as pessoas que seriam capazes de resistir a semelhante tentação. Basta ver as barbaridades de que são capazes os ditadores com apenas uma dúzia de anos de casa. É suficiente atentar no luxo idiota em que vivem os cantores de Hip-Hop, futebolistas e outros fenómenos cuja popularidade está condenada a ser breve desde a partida. Não é preciso mais do que ver como são geridos os bancos, para perceber o estrago que se faz quando se tem acesso a uma máquina de fazer dinheiro.

 

Sim, os bancos, esses mesmos monstros confiáveis onde as pessoas se habituaram a guardar dinheiro. São na verdade instituições vitimadas por privação de bom senso tal que as torna incapazes de aguentar uma auditoria minimamente saudável. Isto porque os bancos, donos de uma máquina de fazer dinheiro, há muito que deixaram de se preocupar com o dinheiro que têem e passaram a gastar abertamente os valores que os seus clientes lhes pedem para guardar.

 

O mal vai muito além da gritante ineficiência operacional dos bancos. Os milhares de funcionários com funções pouco claras. Os processos diabolicamente retorcidos e imobilistas, as regalias absurdas dos seus gestores, os direitos intermináveis dos seus trabalhadores, os horários de trabalho muito reduzidos, as instalações do bom e do melhor. Todo o desperdício que está à vista já já de si suficiente para fazer um pobre desconfiar, mas o pior é que está coberto apenas com uma camada de truques básicos somados à revelia da matemática.

 

Verdade. Os bancos ignoram o dinheiro que gastam em despesas operacionais, chamando-o de activos e usando o activo para pedir dinheiro emprestado no caso de alguém vir pedir de volta. O funcionamento dos bancos é verdadeiramente assustador para quem teve a má ideia de lá guardar algum dinheiro:

-       Consideram as agências “activos”,em vez de assumirem os custos de ter uma sucursal vazia com empregados desocupados.

-       Encomendam estudos (caros) para lhes dizer que o dinheiro que gastaram em publicidade (cara) fez subir o valor da marca (que ninguém compraria) e portanto acreditam que esse dinheiro gasto afinal ainda está escondido na marca.

-       Emprestam ainda mais dinheiro a empresas falidas (como a Papelaria Fernandes) apenas para não terem de admitir que essas nunca irão devolver o dinheiro emprestado.

-       Avaliam coisas sem valor comercial (como a sede da CGD) em valores assombrosos

-       Consideram lucro variações fictícias do preço de coisas que não compraram nem venderam.

-       Pedem dinheiro a preços superiores ao que emprestam (o BES emitiu obrigações perpetuas a 8,5% quando parece emprestar a 4%)

 

 

Todas estas habilidades misturadas fazem dos bancos verdadeiras máquinas de fazer dinheiro. Capazes de gastar como quem tira água de um poço sem fundo. Levando-os à inevitável alienação da realidade, mitomania e comportamento autofágico que afecta a todas as pessoas que tocam prolongadamente nessas máquinas.

 

O complexo de Midas que afecta os bancos resultou em algumas das organizações mais perdulárias, ineficientes e preguiçosas das economias modernas. Males que têm vindo a ser disfarçados com mercados limitados por reguladores coniventes (não deixando haver mais bancos a concorrer) constantes fusões e reestruturações (com maiores oportunidades para fabricar dinheiro).

 

Ocorre que os bancos chegaram ao ponto 2B2F (too big too fail) não podem mais fundir-se para disfarçar problemas operacionais tornando-o proporcionalmente ao seu tamanho relativamente pequeno. Por outro lado os mercados estão muito mais abertos e apesar de as regulações nacionais se esforçarem por manter protegidos da realidade os seus monstros contabilísticos, é cada vez mais difícil impor fronteiras e em breve será impossível. Nesse dia, muita gente vai descobrir com dor que não é possível uma operação tão ineficiente ser rentável e os bancos gastaram o dinheiro que lá foi depositado.

publicado por Consumering às 01:04
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Como mentir em 6 lições

Dicas sempre úteis para quem tem de vender ou escrever publicidade.

 

1Não ter medo de mentir. As mentiras existem há tanto tempo que não será qualquer modernice como a internet ou os carros híbridos que vão deixar de fazer das mentiras um expediente necessário e útil. Como antes, o problema de mentir estará em ser apanhado, ou melhor nas consequências de ser apanhado. Portanto do que devemos ter é medo de ser apanhados a mentir e não ter medo de mentir. Confuso? Ainda ficará mais com a segunda lição.

 

2Se vais mentir mente muitas vezes. As pessoas não têm memoria, especialmente numa sociedade internetizada, com toda a informação disponível a qualquer momento, ter a capacidade de recordar factos que podem ser facilmente verificados é uma habilidade bastante desnecessária, ao nível do truque de circo. Portanto cada mentira é um caso isolado que geralmente não tem consequências (basta não ser apanhado) e como tal pode-se continuar a mentir. Ainda mais confuso não é? Talvez a lição número 3 ajude.

 

3 - As boas mentiras são as muito grandes mentiras. Existem mentiras tão catastróficas que uma vez descobertas põem em causa a civilização como a conhecemos. Como por exemplo que os bancos gastam o dinheiro que lá se deposita. Mas essas mentiras são raras e uma vez desmascaradas têm consequências tão graves que a maioria das pessoas prefere continuar a acreditar nelas mesmo depois de desmascaradas. Mentiras como a religião são tão massivas que se tornam impunes, estão para lá do ponto de serem descobertas e já vimos o único problema das mentiras é serem descobertas. Certo, esta número 3 também não ajudou grandemente, vamos lá ver a seguir.

 

4 - Quando uma mentira é descoberta convém ter outra maior. Quando, por exemplo, se descobre que as audiências da imprensa estão empoladas e que na verdade não há 12 pessoas a ler de cima a baixo cada exemplar impresso de um jornal, isso pode significar que a publicidade que lá é posta não está a ser sobrevalorizada e que é portanto uma despesa pouco inteligente. Ora esta descoberta poderia ser aborrecida para todo o negócio do jornalismo se não estivesse escudada numa ainda maior mentira, que é a utilidade do gasto em publicidade. O investimento em publicidade é daquelas mentiras tão grandes e tão boas em que ninguém quer deixar de acreditar e portanto faz uma sombra que protege muitas mentirinhas mais pequenas.

 

5 - A Verdade é pior que uma mentira. Por exemplo, um creme que promete emagrecimento é uma mentira, mas a Verdade é que quem procura cremes dietéticos não quer fazer dieta e portanto é a Verdade é que está a mais. Quem vai mentir ou arranja uma mentira catastroficamente grande para disfarçar a mentira pequena que vai contar, ou então apoia-se numa Verdade suficiente desagradável para que a mentira acabe por ser mais simpática de aturar.

 

6 - Quanto mais pequenas verdades, mais espaço para as mentiras. A última lição para bem mentir é disfarçar as mentiras em muitas pequenas verdades. Das verdades agradáveis entenda-se,  como as pequenas verdades costumam ser. Pois está bem de ver que são as grandes verdades que doem. No meio de agradáveis verdades como o sol do verão, o riso das crianças ou sabor refrescante da fruta, há muito espaço para mentiras como as calorias em excesso de um refrigerante. Basta reunir um conjunto suficientemente grande de agradáveis verdades que se consegue a máscara ideal para as necessárias mentiras.

publicado por Consumering às 14:33
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

Ser super-heroi é uma seca

 

No futuro todos vão ter vários super-poderes, incluindo a capacidade para ler pensamentos.  O que vai ser uma bela chatice. Pois já não bastava ser quase imortal e ter de gramar com 50 anos de velhice economicamente inviável, agora vamos ter saber do que vai na cabeça dos outros.

 

Infelizmente, na prática, os super-poderes não são bem aquilo que se poderia esperar deles, têm uns efeitos secundários algo desagradáveis. Até mesmo a super promissora visão raio-x, que usada para o bem poderia desembaraçar de tanta roupa pouco reveladora, é na pratica confrontada com as carnes moles da obesidade galopante.  O mesmo tipo de desapontamento que parece estar reservado ao super-poder que mais depressa se anda a banalizar. Saber o que os outros pensam, não será tão agradável como parece.

 

Para começar, o que os outros pensam raras vezes vai alem da banalidade mal informada e mal formada.  Condenando quem lhes conhece a alma a uma série de desilusões, a mais grave das quais é não ter vontade de lhes comprar o que quer que seja. Sabendo o que pensam os vendedores, quem lhes compra os presentes envenenados como carros em segunda-mão, contas bancárias sem fundo, produtos de marca e serviços com responsabilidade social?

 

Explicando na teoria, temos o seguinte. Boa parte das teorias intervencionistas sobre os mercados partem do princípio que a informação é assimétrica e portanto as transacções imperfeitas. Pois, se uma parte sabe bastante mais que a outra, tirará partido dessa vantagem para obter para si  uma transacção mais favorável. Usando o seu conhecimento extra para convencem os ignorantes a coisas que lhes são prejudiciais, como por exemplo, a depositar dinheiro num banco que gastou os valores dos depósitos anteriores em ordenados milionários de pessoas que pintam lojas de cor-de-rosa.

 

Ora, a internet torna toda a informação imediatamente disponível, nivelando o nível de conhecimento entre as partes e tornando as transacções mais equilibradas. Pior, a internet tira espaço à aplicação da ancestral manha do vendedor de banha da cobra.

 

Imagine-se o seguinte, um leitor está no souk de maraquesh e perde-se de amor por umas artesanais pantufas de ponta arrebitada. O normal nesta situação seria seguir-se uma absurda discussão em que o turista seria confundido com câmbios impossíveis e respostas indignadas até exercer o seu direito imperialista de oferecer o salário de um mês do vendedor como quem deixa gorjeta num café. Ora, dentro de pouco tempo um qualquer Goggle de Google vai permitir ao turista saber qual o preço pago por cada pessoa que por ali anda ao engano, qual o preço médio e também o preço mais baixo. Sabedor desta informação, conhecedor do que pensa o vendedor de pantufas, o negócio faz-se e decorre com toda a magia que teria se as pantufas fossem compradas no Lidl.

 

Este é portanto o efeito da abundância de informação. Torna as transacções simétricas. Leva à inoperância alguns truques de negócios que os senhores do milénio passado davam por adquiridos. E lança um mercado onde:

 

-       A diversificação perde efeito

-       A escala não acrescenta

-       O engano não dura

 

A ver vamos.

publicado por Consumering às 09:41
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

a pedido

publicado por Consumering às 13:11
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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

A informação estupidamente acessível

As receitas monetaristas de Keynes não funcionam? Os bancos centrais não sabem que fazer? Os mercados estão com síndrome pré menstrual? O que se passa com o mundo, que o seu dinheiro está louco?

 

Tal como na publicidade, nos mercados financeiros, há muita coisa estranha a acontecer, pois há cada vez menos gente virgem do conhecimento que se deixa enganar com uma simples patranha de caça-turistas. Antigamente, quando as pessoas eram arbustos presos ao chão, havia tanta gente sem experiencia de vida que era fácil encontrar um turista suficientemente ignorante para comprar a Torre Eiffel, o Terreiro do Paço ou mesmo um pedaço de queijo da Lua.

 

Com o tempo, com a dispersão da informação, foi-se tornando cada vez mais difícil encontrar gente tão impreparada para lidar com as novidades do mundo. Com a rapidez de uma lebre as pessoas revestiram-se de uma carapaça de tartaruga, protegendo-se (muitas delas já depois de escaldadas) dos contos do vigário, dos truques de ilusionismo e das simples patranhas bem falantes.

 

Quando o seu grupo alvo é suficientemente impreparado, assim ao nível de uma senhora do campo vestida de preto, com a lenha à cabeça ou de um boy partidário sentado num lugar de administração monopolista, os vendedores de banha da cobra têm a vida facilitada. Basta aos artistas do engano dizer que vêm da parte da Segurança Social, ou que estão a fazer sensibilização ambiental com rebranding de valores no logotipo que os pobres ignorantes lhes passam todo o dinheiro dos subsídios que têm acumulado debaixo do colchão, para as notas irem fazer uma verificação lá na sede.

 

Mas o rádio, a televisão e horror dos horrores, a internet, tornaram a informação estupidamente acessível (ou seja, acessível até aos estúpidos) tornando a actividade de enganar o próximo muito mais complexa, arriscada e falível.

 

Os bancos centrais, agora não podem mais baixar os juros para estimular a economia. Porque se baixam os juros estão a admitir que há problemas e se há problemas então mais vale a quem tem dinheiro muda-lo para uma economia de crescimentos altos.

 

Os anunciantes já não ganham nada com a notoriedade, ainda que (as seen on TV) os consumidores prefiram um mal conhecido a um bem que nunca viram, com a informação disponível, tudo pode ser conhecido. Em igualdade de informação, o bom produto ganha e o mal, o mau produto, está feito.

 

O mundo passou por alguns milénios de informação restrita e conhece apenas uma mão cheia de anos do contrário. A maior parte das pessoas ainda não se apercebeu de tudo quanto se sabe, que já não há segredos, que o simples recolher de uma informação não tem valor e que o conhecimento acumulado não é uma vantagem. Bastaria observar a adesão das massas às religiões para perceber que a maior partes das pessoas não é muito inteligente. Na verdade metade das pessoas tem um QI abaixo de 100.

 

Só que, mesmo esses que são estúpidos, agora podem saber tudo. Podem saber os podres de uma guerra lá no Afeganistão, podem saber que os governos dos PIGS não conseguem controlar os seus gastos, podem saber que os bancos gastam em vez de guardar o dinheiro que lá é depositado. Como podem saber tantas coisas, como sabem o mal que estas coisas lhes fazem, acabam por ganhar defesas e tornam-se enfim mais difíceis de enganar.

 

Se fossem inteligentes, não precisavam de tanta informação, bastava-lhes saber fazer e ter feito as contas. Mas para todos os efeitos, a informação agora está disponível e os estúpidos, nem que seja por instinto de protecção, deixaram de acreditar porque não conhecem.

 

Deixaram de acreditar que é possível gastar mais do que se ganha e como tal deixam de querer emprestar dinheiro a um governo de subsidio-dependentes que não trabalham. Deixam de acreditar que as pessoas se preocupam com outra coisa que não seja o dinheiro que ganham e portanto não compram um produto só porque o viram anunciado. E assim deixam os mercados nervosos e os publicitários de mãos atadas, sem perceberem que os seus miseráveis truques de ilusionismo serviam apenas para aplicação em festas infantis.

 

Para o ano, o mundo não vai parar, a informação vai estar, mais ainda, estupidamente acessível e com isso vamos continuar a constatar que:

 

-       As ideias não têm valor, só a execução.

-       Os conteúdos não têm valor, só o suporte

-       A comunicação não é diferenciadora, só os produtos

-       Os segredos morreram, mais vale ser honesto

-       Os direitos de autor não são aplicáveis, tudo se copia

-       Ninguém paga para ouvir, todos pagam para falar

-       O passado morreu, o futuro é já amanhã.

publicado por Consumering às 12:28
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Tradução: Vocês sabem o que quer dizer.

Antigamente ninguém se entendia. Cada buraquinho do mundo falava a sua linguagem particular e os contactos que tinham com outras línguas eram incrivelmente raros.

 

A distancia e a ausência de comunicações fazia com que a mesma língua, apenas porque falada em lados opostos de um qualquer canal ou montanha se transformava em duas línguas diferentes, que mais ninguém entendia.

 

Ainda por cima, só uma mão cheia de artolas super especializados sabia ler e escrever essa linguagem (qualquer linguagem), permitindo que o que eles escreviam e a forma como o faziam fosse basicamente ignorado por quem usava a língua. Mesmo que ignorados pela população em geral, estes iluminados não se fizeram rogados e apropriaram-se da forma, criando regras absurdas onde os seus erros e excepções eram travestidos de erudição.

 

Subitamente, ao fim de séculos de dispersão e fragmentação da escrita, iniciou-se o efeito inverso, a expansão do número e complexidade de diferentes línguas foi sendo substituída por uma crescente globalização das conversas. Num primeiro momento as línguas nativas foram dizimadas, aos milhares, criando a supremacia de uma dezena de línguas invasoras, quase todas indo-europeias.

 

Esse primeiro efeito pareceu sem consequências, logo após a conquista os colonos começaram a deturpar as línguas colonizadoras e os arcaicos doutores mantiveram o seu privilégio académico de decidir que tipo de erro era certo e que tipo de certo era erro. Voltava o status quo em que cada um falava a sua língua à sua maneira e uns poucos ditavam as regras ignorados pelos demais.

 

Curiosamente, esse primeiro momento expansionista global fora apenas um ensaio do efeito final. Com as tecnologias de comunicação, toda a gente fala com toda a gente e a língua deixa de ter incentivo a se particularizar na rotina de pequenos grupos isolacionistas.  Abrindo uma caixa de Pandora que entra em ebulição com a educação universal.

 

Todos agora sabem ler, todos falam várias línguas e todos conversam entre si, à escala global. A mortalidade dos dialectos acelerou-se e a dezena de idiomas invasores arrancou para mais uma ofensiva chacinando dialectos. A evolução da escrita tornou-se incontrolável.  Os académicos perderam o controle e as regras do jogo mudaram.

 

Escusado será fazer acordos ortográficos ou reescrever dicionários. São peças de museu, anacrónicas, rejeitadas pela quase totalidades das pessoas que lêem e escrevem um idioma. A língua, qualquer língua é agora de quem a usa e de quem a entende. Está tão mais correcta quanto mais pessoas a utilizarem. Quando mais flexível for às adopção de novidades das modas de massas. Quanto mais fácil dor de entender.

 

Por este motivo, o francês medieval, com os seus ordinateurs lentos e incompreesíveis, está tão morto quanto o Latim. Morto pelo inglês universal que ninguém fala correctamente como em Oxford, mas que todos entendem e manipulam sem dificuldade. O spanglish e o Brasileiro, bem como o Chinês e o Árabe têm também vastos seguidores empenhados, mas o resto, resquícios evolucionistas das comunicação intra-tribo, incompreensíveis para o mundo, estão obsoletos e vão desaparecer no nosso período de vida.

 

O golpe de misericórdia é dado quando um qualquer robot linguista, consegue traduzir tantas línguas com tanta rapidez e menos resistência que o maniento C-3PO. Chegando então ao ponto caramelo da evolução linguística.  Há uma quantidade de ofícios que estão a morrer. Os tradutores, substituídos pelas máquinas e pelo bilinguismo mundial. Os escritores em línguas de nicho. Os jornalistas de generalidades. Os publicitários de bairro. Os editores de obras traduzidas. Os diplomatas papa-festas. Estão todos condenados e quanto mais tarde se confrontarem com esta realidade, mais dolorosa será a sua queda.

publicado por Consumering às 11:45
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Sábado, 13 de Novembro de 2010

Quem planeia não faz ... falta; nada de útil; a mínima noção.

Se há coisa que não estava nos planos, é a realidade, que sempre se revela mais traiçoeira e imprevisível do que pode antever num qualquer plano ou orçamento. Aliás, esta realidade é facilmente demonstrável pois de cada vez que se diz que algo resultou “em linha com o plano” significa apenas que se tratou de um desapontamento geral e uma porcaria abaixo das expectativas. Essas sim eram boas, mas não estavam no plano.

 

Posto isto, não há disparate mais acabado que a elaboração de planos, de negócio e de marketing e afins, mesmo que ainda a eles se entreguem a generalidade das organizações. Especialmente se forem planos anuais, um prazo no qual nem os pressupostos mais conservadores se mantém inalterados.

 

No tempo em que o mundo era plano, e não se ia a nenhum lado, a vida decorria tão devagar que um plano anual era possível de elaborar com alguma verosimilhança com a realidade. Durante milénios, o ano que ai vem iria ser igualzinho ao ano que agora passou, permitindo transpor do relatório do que se havia encontrado, um plano do que se iria encontrar, a mesma moleza de sempre. Não havia grande utilidade nesse plano, mas era uma forma das pessoas se entreterem no trabalho, pois isto se passou antes de terem facebook.

 

Especialmente inútil, mas bastante animado, sempre foi caso do plano de marketing. Na época em que os métodos de avaliação eram demorados e difíceis de utilizar. No tempo do offline. Os planos de marketing tornaram-se numa variação do jogo de soma nula. “Jogo” porque intenso mas não produtivo,  “soma” porque se limitava a somar o quanto se ia gastar, independentemente de outras contas de efeito que mais se pudessem fazer, “nula” porque era esse o resultado esperado e avaliado do plano.

 

Os planos de marketing sempre foram a versão corporativa do orçamento de estado, um chorrilho imenso de dinheiro que ocupa muita gente, que se procura dispersar por igual por todos os lados, para atingir a neutralidade balofa de nada se beneficiar.

 

Ora agora, o plano saiu gorado, como sempre saem gorados os planos, especialmente numa altura em que a medição de resultados está aí, com um rigor inédito e com uma velocidade tal que já não se faz esperar. Havendo,informação abundante e imediata sobre o efeito das acções, faz algum sentido continuar a esperar um ano inteiro para se corrigir uma acção, apenas e só porque assim se havia escrito num plano arcaico do ano passado?

 

Precisamente, não! A informação, a internet, permite saber ao momento o efeito de qualquer acção, assim sendo, persistir num caminho apenas porque esse erro estava previsto num plano, quando os resultados apurados já indiciam uma quantidade de novas possibilidades, é no mínimo um mau sinal.

 

No marketing, o plano (especialmente o anual) está inutilizado pelo tempo, ainda antes de começar a ser elaborado. E quem o planeia (especialmente se é para um ano) no fundo admite que não pretende avaliar o que está no plano ao longo do tempo que dura o plano. Em suma, manter um plano, num ambiente rico de informação é a demonstração que se vai passar a duração desse plano a ignorar os efeitos que a todo o momento se vão observar.

 

Enfim, o acto de fazer planos é mais uma das actividades de caça-recolecção de informação que se tornaram obsoletos com a total abundância da informação. E como tal, quem se ocupa de fazer planos, pode começar a encontrar um lugar na fila do desemprego, junto aos jornalistas e bibliotecários e tradutores e tanta outra gente que não tem mais lugar na economia deste milénio.

publicado por Consumering às 17:44
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Essa ideia não vale nada

Para algumas pessoas, chamemos-lhes idiotas, todas as ideias são boas, como se estas ideias se medissem aos quilos, ou às dúzias. Estes idiotas, pensam mais ou menos assim: se são precisas ideias, para que haja inovação e se a criação é feita a partir de ideias, então com mais ideias, cria-se mais, inova-se mais.  Vai daí têm uma ideia, fixa: ter muitas ideias, variadas, e tratam de perseguir a sua ideia, criando programas de inovação, caixas de sugestões e sessões de criatividade, entre outros meios destinados a libertar o potencial de idiotice que há nas organizações.

 

Por outro lado, quem não for idiota, percebe facilmente que as ideias não são todas iguais e que há umas que são as boas ideias e outras que são más ideias. Quem não for idiota, também percebe que ter mais ideias não significa ter melhores ideias. Mais ainda, quem não for idiota chega até a ter razões para suspeitar que as boas ideias podem não estar no meio de muitas más ideias.

 

O que talvez não esteja ao alcance de todos é perceber que as ideias não têm qualquer valor e como tal não têm grande utilidade. Não há de ser uma ideia (no sentido de crença) popular, isto de que as ideias não têm valor. Mas os factos estão aí para o comprovar. Atente-se primeiro no processo de criar ideias, para logo depois se explicar de onde vem a tal herege conclusão de que as ideias não têm valor.

 

Quem percebe de ideias (no sentido de pensamento) sabe que as ideias são o resultado de combinação de informação até aí desconexa. Por vezes chamada de inspiração, a ponte que liberta os sumos criativos, não é mais do que o bombardeamento dum assunto com factos, na tentativa de provocar uma fusão nuclear de conceitos.

 

Ora, antigamente, no milénio passado, quando a informação era escassa, ter ideias era dificultado pela falta de factos que cada um dispunha para combinar. Com poucos factos era difícil fazer muitas combinações, tornando as ideias relativamente escassas. Mas então veio a internet e toda a informação passou a estar imediatamente disponível. Por ser muito fácil, deixou de ser importante, de ter valor, a actividade da recolha dos factos. Passando todo o valor, para o que se tornou relevante, a distinção entre as ideias. Então temos que, por um lado, as ideias são facilmente geráveis, pela profusão de informação que as gera. Enquanto por outro, a quantidade de ideias não é qualidade e pode até dificultar a separação do trigo e joio. O valor das ideias deixa de estar no acesso às ideias, para passar a estar na avaliação das ideias.

 

A total disponibilidade dos factos, a matéria prima das ideias, permite uma multiplicação das tais ideias, com a consequente redução do seu valor. Quer seja pelo aumento da oferta, quer também pela dificuldade de processamento dessa oferta. Perdem assim valor as ideias, ganha assim valor a avaliação das ideias.

 

Podemos ir mais longe: o que é uma boa ideia se não uma ideia cuja aplicação foi bem sucedida? Será que uma ideia vã, que não é consequente, num ambiente em que há muitas ideias, se pode considerar uma boa ideia? Claro que não. Está portanto visto que uma ideia só é boa se tiver aplicação, empurrando o valor ainda para mais tarde, para a execução. Chegamos ao ponto em que as ideias não têm valor, pois o que tem valor é a sua implementação, se bem sucedida subentenda-se.

 

Em contra-ciclo, os idiotas que por aí andam, parecem cada vez mais preocupados com a criação, a criatividade e as ideias.  Está certo que ninguém disse que esses idiotas eram muito inteligentes ou que eles percebiam o que se estava a passar à volta deles. As ideias, são como os chapéus, há muitos, ó palermas!

 

 

Em resumo: Essa ideia não vale nada. As ideias são tantas que só têm valor as que são implementadas, e com sucesso. Esta desvalorização das ideias, até à total perda do seu valor intrinseco, é apenas e só mais um dos sinais da revolução tecnológica por que o mundo está a passar. A revolução de um modelo de caçador-recoletor de informação, para o produtor de conhecimento.

 

 

publicado por Consumering às 11:57
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Sábado, 16 de Outubro de 2010

Os chefes dão-se mal a elogiar

Porque os empregados reagem mal aos elogios.

 

Atente-se em dois exemplos:

 

Um elemento de uma equipa tem uma semana invulgarmente bem sucedida, resultado de alguma sorte e de boa disponibilidade mental e pessoal. A família não lhe está a dar grandes problemas, o seu clube de futebol jogou bem, está sol e o homem sente-se mais animado e encara o trabalho com outro fôlego.

 

O seu colega não gosta do calor e a família só o chateia para ir para praia, não o deixando em paz para trabalhar em condições e por azar perdeu um negócio que andava a namorar há algum tempo. Enfim, uma semana para esquecer.

 

A chefe destes dois trabalhadores, resolve elogiar o primeiro, reconhecendo o seu e reclamar com o segundo, fazendo-o ver que não tem razões para andar tão arreliado e que a sua atitude lhes custou um importante negócio.

 

Ora, como não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe, ao primeiro dos trabalhadores exemplo é mais provável que tenha azar depois de tanta sorte, tal como ao segundo, o que antes correu mal, pode agora correr bem.

 

Assumindo que nada de fundamental separa estes dois trabalhadores, os seus ciclos de desempenho vão em breve se cruzar, o azarado terá sorte, o sortudo o contrário, e a chefe?

 

Pois bem, a chefe irá olhar para trás e concluir que o seu elogio foi motivo para o primeiro dos trabalhadores se acomodar e a sua reclamação levou o segundo trabalhador a se esforçar. Esta chefe, como todos os chefes, será levada a pensar, por defeito do seu posto de observação, que é mais vantajoso reclamar do que elogiar.

 

Todos sabemos que não têm razão, mas podemos compreender como é que se deixa enganar e perceber que reagimos assim também em tantas outras semelhantes situações. Como por exemplo com a publicidade feita pela negativa, só para trazer o tema mais para perto do tema do blog. Mas sem ir por aí: Vá-lá, repensem lá, afinal são capazes de ter mais motivos para elogiar do que a observação parcial que fazem os tem levado a crer.

publicado por Consumering às 21:46
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Para que serve uma biblioteca?

Se numa biblioteca, os livros podem ser usados livremente e lidos por várias pessoas, isso não será uma transgressão dos direitos de autor? Então, qual o motivo para que as bibliotecas possam distribuir os livros que possuem sem custos?

 

Se quisermos aprofundar o que é uma biblioteca, encontramos na actividade alguns paradoxos interessantes. Por exemplo:

 

-       As bibliotecas destinam-se a promover a leitura de quem não pode comprar livros, mas algumas delas cobram pelo seu serviço e que se saiba nenhuma biblioteca faz controle de pobreza à admissão.

 

-       Os autores e editores não consideram a quantidade de vendas perdidas por leitura numa biblioteca relevante, significando que muito pouca gente as usa. Ainda assim, apesar da irrelevância para a leitura, as bibliotecas são abundantemente subsidiadas.

 

O que são apenas detalhes, se repararmos que as bibliotecas são resquícios de um mundo analógico, que não têm lugar numa economia digital. Bastaria digitalizar os livros de uma biblioteca grande, colocar esse espólio online e deixam imediatamente de ter sentido quase todas as bibliotecas locais.

 

Certo, os autores e editores não iam gostar dessa explosão de acessibilidade. Mas como já se percebeu, a condição para os autores e editores tolerarem as bibliotecas é que estas sejam essencialmente inúteis na distribuição dos seus livros. Afinal os autores/editores são concorrentes, inimigos, rivais das bibliotecas. ou seja, as bibliotecas são uma coisa que os autores/editores toleram desde que seja inexpressivo o seu impacto.

 

Agora, à medida que vamos digitalizando a informação, caminhamos para o inevitável. A informação não tem valor, os direitos de autor são uma ficção. Afinal, é a simples lei da oferta e da procura. Na internet a informação está infinitamente disponível, portanto o seu preço é infinamente baixo, zero. Editores e Bibliotecas vão deixar de ter com o que se arreliar.

publicado por Consumering às 22:20
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Descanse em paz ó Grande Director Criativo

O grande director criativo, que anda porsche, calça ténis sujos e não tem de explicar o porquê das suas convicções, é um fruto antigo de uma escassez que acabou de acabar.

 

Antigamente, eram poucas as marcas que anunciavam, só havia a televisão, aberta a apenas umas dezenas de produtos. Lá, cada anúncio custava meses de trabalho e os resultados eram medidos mal e porcamente, com muito desperdício na aprendizagem.

 

Naquele ambiente, ter um currículo com 100 campanhas feitas e boa parte delas avaliadas, era um feito só ao alcance de uma mão cheia de indivíduos gurus. Pois se eram poucas dezenas de marcas que só anunciam umas duas vezes a cada ano. Do outro lado, havia uma dúzia de agencias para distribuir esse trabalho e quase ninguém capaz de o avaliar. Seriam então precisos muitos anos para criar um porfólio, várias décadas para aprender alguma coisa.

 

Essas sumidades sabedoras eram tão raras, que se criou a ilusão de que eram eles mais do que simples mortais e se ganhou temor a questiona-los e com a adoração, até se permitiu que aparecesse por aí uma cambada de pastiches imitadores, presunçosos que se limitavam a copiar os maneirismos mais irritantes. Nascia assim O Grande Director Criativo.

 

Criatura agora, até que enfim, morta, ou quase. Comatosa, vá. E senil. Pois que na internet, qualquer puto imberbe pode incluir na sua rodagem, centenas de campanhas feitas, todas elas medidas ao centavo, contabilizadas as variáveis mais relevantes, incluindo única que verdadeiramente interessa, que é as vendas.

 

Possuidores de tamanha experiência, sabedores por factos comprovados do que é que vende quando anunciado. Esses putos sabem muito mais que os Grandes Directores Criativos alguma vez souberam. E vão ficar-lhe com o emprego, o dinheiro e o prestígio. Não lhes vai dar é para o Porsche, porque o fee agora vai a dividir por muitos.

publicado por Consumering às 23:37
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