Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Um dia é mais do que um instante

 

Se num instante tudo muda, não percebo de que serve um jornal feito de véspera. Tenho muita consideração e estima por uma quantidade de gente que trabalha para o “i”, mas não consigo perceber o que estavam a pensar.

 

Se há altura da história do mundo em que lançar um jornal não faz grande sentido, este é o momento. Os jornais que existem no mundo perdem hoje em dia dinheiro suficiente para ser um desafio fazer mais um desses símbolos do passado.

 

O jornal até é simpático e o agrafo uma muito agradável adição. Portanto, algumas das vezes em que não comprava o Público, serão capazes de ser vezes em que não compro o “i”. Mas o que não dá mesmo para compreender é a campanha de lançamento, que raio será aquilo do instante.

 

Se num instante tudo muda, um jornal impresso de véspera não faz sentido. A rapidez dos acontecimentos foi precisamente a razão pela qual os jornais de papel perderam o protagonismo da informação para a televisão e para o rádio e para a internet.

 

Se num instante tudo muda, um jornal de referência com artigos de fundo e poucos assuntos por edição (entradas) não faz o menor sentido. Se num instante tudo muda, leio o Metro, o OJE que se limitam ao essencial e ainda por cima são gratuitos.

 

Já todos sabemos que a publicidade está demasiadas vezes entregue aos seus desígnios irresponsáveis de entretenimento do ego de alguns ociosos. Mas não costuma falhar em coisas tão básicas. Já não espanta quando vemos mega produções publicitárias desprovidas de efeito comercial, cujo objectivo único é inchar o ego do administrador que assina o cheque. Mas faz muita confusão quando até a mensagem, os valores e todos os outras palermices da semiótica publicitária estão de pernas para o ar.

 

A campanha do i é tão pouco lógica que até o Eduardo Cintra Torres será capaz de reparar que um instante é bastante mais tempo do que um dia e se num instante tudo muda, mais vale não ler jornais. Com muita pena pelas pessoas que lá trabalham, não estou a ver este “i” a sobreviver ao Inverno. O dinheiro vai-se num instante.

 

publicado por Consumering às 10:54
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3 comentários:
De Hidden Persuader a 13 de Maio de 2009 às 12:43
A lógica de argumentação do teu último parágrafo é tramada oh Henrique. Se um dia eu vou morrer, para quê contnuar a viver (risos)
De Consumering a 13 de Maio de 2009 às 14:33
é mais uma questão de esperança de vida, tipo: não ponhas uma mosca da fruta a fazer puzzles de 10.000 peças.
De Marina Mourinho a 20 de Maio de 2009 às 22:18
Escapou-te uma perolazinha: Os mupis.
Então não é que os mupis conseguem ser menos brilhantes que o anúncio da rádio. Impossível? Nop. No mupi o ponto do "i" é uma folha de jornal amachucada em bola de papel (daquelas que fazemos para treinar para o próximo campeonato de office-basketball e cujo destino é apenas o lixo) com a imagem do jornal ao lado. Pode ser que tenha uma mensagem metafísica, mas à primeira vista é só idiota! :D

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