Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Ao nível das previsões do Zandinga.

Nós, humanos e similares, somos tão maus a planear que acabamos sempre a ser surpreendidos pela realidade, como perus na véspera de natal. A qualidade dos planos a médio prazo é tão má que não falta quem tenha sustentado que a internet é uma moda, ou que haveria mercado para apenas uma mão cheia de computadores. No entanto não falta quem viva de fazer planos de negócio tentando com isso iludir-se e iludir uns quantos decisores com falta de humildade intelectual.

 

Começando pelo princípio. A generalidade dos planos de negócio de médio longo prazo é de muito má qualidade, e não valem o papel em que são impressos. Por uma variedade de razões recorrentes: Normalmente os planos sofrem por um lado de um optimismo irresponsável (alguém alguma vez viu um plano de negócio que preveja uma recessão? No entanto elas ocorrem a cada 7 ou 8 anos). Também é comum que os planos sofram de estreiteza de horizontes (quantos planos contemplam mudanças das condições tecnológicas?) Mas o mais vulgar é os planos sofrerem de arrogância intelectual (quem é que assume num plano que terá de adaptar aquilo que planeou à realidade que encontrar?)

 

Estes defeitos, por demais evidentes, não impediram uma quantidade de pretensos gestores de investir continuamente em planos estratégicos com um empenho só visto na nomenklatura estalinista. Tal como o plano de salvamento da GM, não será capaz de salvar a GM. Os planos são feitos para falhar. Sejam eles planos de negócio, modelos de rentabilidade, projecções de resultados, tudo o que o circo dos planos inventou para tornar a charada mais complexa e disfarçar o quão inútil é todo aquele trabalho.

 

Não que a vida não mereça ser analisada, ou que a solução para a gestão seja o deixar andar despreocupado que se vê nas repartições públicas. Até porque alguns (poucos) empreendimentos são tão colossais que convém arriscar a fazer alguma previsão, antes de comprometer o rendimento de três gerações futuras.

 

A questão é que de todos os planos de negócio que ocupam os bruxos da gestão, apenas uma infinitésima minoria se dedica a precaver medidas de impacto transgeracional. A maioria dos planos de negócio, são feitos para justificar pequenos gastos (como o entretenimento da Ydreams) ou acções inevitáveis (como o afogamento da Aerosoles). Fins e meios que certamente não justificam disfarçar a incerteza com slides de powerpoint.

 

Em alternativa aos planos, é capaz de ser melhor ideia testar. Especialmente quando a internet está aí a reduzir o investimento necessário para criar uma iniciativa e levar à frente um negócio. Ao dia de hoje, quase todos os planos de negócio podem ser substituídos pela resposta à seguinte pergunta: Quanto custa tentar? Uma vez tentado em pequena escala, a realidade tratará de demonstrar se a ideia era ou não boa e o que é que está a faltar para a fazer funcionar. Investindo os fundos libertados apenas pelo sucesso, sem necessidade de ir comprar capital.

 

Tentar, aprender, melhorar, até acertar é o novo mantra da gestão. Mais ainda quando se tratar de marketing ou publicidade. Com os meios e ferramentas da publicidade online é possível testar vários caminhos em simultâneo e medir os resultados de cada um deles com rigor e quase imediatamente. Ainda por cima com a multiplicidade de abordagens costuma-se obter maior resultado combinado do que de aquele que advém de uma execução perfeita.

 

Não há coisa mais obsoleta que um plano de meios numa campanha online.  Se ao dia 2 sabemos que um determinado meio não produz resultados, porque é que devemos manter a sua utilização até ao dia 30? Se ao dia 2 o plano é para deitar fora, para que serviu tê-lo feito para começar? A todos os departamentos de marketing deste mundo a fora, se continuam a desperdiçar o vosso tempo para fazer os planos anuais, saibam que se dedicarem esse mesmo tempo a apanhar sol, produzem exactamente o mesmo e ainda ficam com melhor ar.

 

publicado por Consumering às 17:33
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