Domingo, 24 de Maio de 2009

Nem chega para amostra

Em princípio ninguém deveria levar a sério aqueles anúncios de cremes que dizem: "75% dos consumidores comprovaram os resultados". São evidentes manipulações dos factos destinados apenas a dar esperança a umas gordas com excesso de dinheiro.

 

Acho até que a publicidade científica aos cosméticos ("7x mais eficaz", "redução de 89%") é uma classe à parte da manipulação dos factos tolerada pela sociedade com a mesma bonomia que se toleram as religiões. São desprovidas de qualquer fundamento lógico, mas servem de conforto a muita gente.

 

O problema é quando se começa a confundir o ilusionismo dos factos com uma efectiva ciencia. Do mesmo modo que qualquer gestor devia saber que não é boa ideia apostar todo o seu orçamento no que disse uma dona de casa num focus group. Esses mesmos gestores e jornalistas deveriam ser muito mais cépticos em relação aos pseudo-estudos que se realizam.

 

Este exemplo é bastante ilustrativo. 150 crianças mandaram uns bitaites ingénuos e há quem os julgue matéria de facto. 6,3% das crianças diziam lembrar-se de publicidade da Ferrari! e 1,67% (uma...) referiu a Bugati. Estas fantasias talvez devessem ter sido motivo suficiente para parar e pensar. Mas não, as crianças tinham idades entre 4 e 11 anos e quem as decidiu colocar a todas numa mesma amostra não parece estar tão desenvolvido.

 

Tal como 78% de uma amostra de 30 entre as pessoas que tiveram os melhores resultados confirmam uma redução nas rugas. ou 7 pessoas lêem cada exemplar dos jornais gratuitos. Os estudos são frequentemente conjuntos irrealistas de factos com numeros pelo meio para parecerem mais inteligentes.

 

Os consumidores de cremes de emagrecimento, bem como uns anunciantes e alguns jornalistas sofrem de uma falha mental que é a burrice induzida pelos números. Basta colocar-lhes um número numa frase e o seu diminuto cérebro bloqueia, retirando-se apenas assegurar as funções vitais: respirar, comer e gastar dinheiro.

 

Por exemplo, sabiam que num text-ad do google basta colocar um número para aumentar a taxa de conversão? É verdade. Um número qualquer e as pessoas começam logo a pensar que alguém fez as contas por elas e é portanto altura de entregarem o seu dinheiro ao criador. 

 

O que estará muito bem se não fossem essas pessoas com burrice induzida pelo número gente com responsabilidades em gerir o dinheiro dos outros.

publicado por Consumering às 09:54
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