Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Não sabemos Inovar.

Faz parte do conceito de Inovação, o não saber Inovar. Já que a partir do momento em que se aplica um método, um procedimento ou receita, deixa imediatamente de haver Inovação para se instalar a rotina da burocracia.

 
A Inovação não é um processo de buscar ideias. A Inovação é uma alteração de processos. Ora, todos os processos para gerar e validar ideias não são Inovação. São rotinas, às vezes altamente ritualizadas, de glorificação do status quo.
 
Alguns idiotas, convencidos que são inovadores, venderam por aí umas injecções de inovações para empresas que constam mais ou menos da uma mesma receita estafada e pouco lógica:
- Um fórum de ideias – Um meio para se exporem as ideias de toda uma organização, de modo a que estas possam ser devidamente castradas, antes de puderem causar impactos. Um fórum de ideias é uma barreira à inovação pois estabelece um passo intermédio entre a iniciativa e a concretização, afastando-as.
- Um gestor emprateleirado – Em casos mais despesistas todo um departamento ou mesmo uma empresa, que fica com o pelouro da inovação, efectivamente subtraindo-a ao dia a dia das organizações. Ao externalizar a inovação numa função autónoma e removida do negócio, esta deixa de ser uma obrigação cultural de todos os elementos para se remeter a um espaço laboratorial.
- Um comité de avaliação – As pessoas mais seniores e os directores mais respeitados. Aquela gente mais conservadora, veneranda das vacas sagradas, será chamada para avaliar as ideias mais inovadoras garantindo que só verá a luz do dia aquelas que não põem em causa o trabalho de anos de uma organização.
- A celebração do passado – Grandes congressos do croquete com gestores de meia idade em fato escuro. Onde se possam louvar respeitosamente os sucessos da inovação, aquelas grandes ideias dos anos 80, que foram as novidades de uma geração, mas que agora são vícios obsoletos. Assim se criam as condições para continuar a repetir os padrões do passado. Tornando o que existe na fonte única de toda a pretensa inovação.
 
Esta receita, hoje em dia levada à prática por muitas pretensamente boas organizações, é um meio para a aniquilação da verdadeira Inovação (com I grande), aquela que produz riqueza. É um facto que uma economia vibrante se faz com grandes quantidades de mudança, com novos processos, com rupturas e melhorias.  Mas a Inovação (com I grande) não resiste aos comités de sábios obsoletos que aparam as ideias com os seus padrões ultrapassados.
 
A verdadeira Inovação (com I grande) só existe quando toda a organização, toda a gente na organização, pratica a Inovação. Não é apanágio de uns teóricos pouco dados a trabalhar. A Inovação tem de ser incorporada nas organizações de modo a que todos os dias algum procedimento seja melhorado e algum acto redundante seja eliminado.
A Inovação (I grande) é feita de processos, actos, realizações. Tem muito pouco a ver com ideias. As ideias podem vir a ser Inovação, uma vez que sejam implementadas a ponto de substituírem o processo antigo. A Inovação, não é tecnologia, nem sequer precisa de estar ligada à electricidade para funcionar, são processos novos e nunca tentados daquela precisa forma.
A Inovação (a sério) só existe quando transforma a realidade e altera o que antes existia. Pelo que só se conhece o potencial de uma ideia se transformar em Inovação depois de a implementar. Avaliar simples ideias, à luz de conhecimentos imodestos, é um bom entretém para quem se julga próximo de Deus e conhecedor do Futuro, como os Astrologos-Tarologos, não é Inovação.
 
Infelizmente as empresas que se apresentam preocupadas com a inovação tendem a fazer algo equivalente a criar um departamento de leitura dos búzios para os quais mandam os seus gestores mais inaptos na esperança que nada mude a forma de fazer dinheiro que lhes rendeu chegarem onde estão. Só que nada disso é Inovação, é até o seu oposto.
 
Mais grave ainda, a Inovação não pode ser parada, como tal, todas as organizações que se estão a proteger da novidade com recurso a estes rituais de glorificação do status quo, estão apenas a acomodar-se para serem passadas a ferro por alguma Inovação externa que os tornará obsoletos e dependentes de subsídios para sobreviver.
 
Isto tudo parece a despropósito da publicidade, mas convém notar que esta indústria ainda não percebeu que a Inovação (o CPA) já cá está e vai deitar a perder tudo aquilo que tanto estimavam, nos gloriosos anos 80 em que fazer um anúncio de televisão era o topo de uma carreira. Ou que o conhecimento dos Criativos que validam ideias em busca da criatividade é quase tão relevante como o zodíaco da Maya.
publicado por Consumering às 12:48
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5 comentários:
De Sombra a 6 de Junho de 2009 às 12:59
Para se poder falar de Inovação temos de ter definido o que é:
Criatividade
Invenção
Inovação
Dentro da Inovação os diferentes tipos:
Incremental
Distintiva
Revolucionária também conhecida por disruptiva.
Para que todos falemos dentro do mesmo contexto UE definiu o que é Inovação.
Só assim poderemos ter a certeza das nossas discussões.
O significante e o significado têm de ser os mesmos para todos os interlocutores.
Existe uma publicção europeia que reune as invoções realizadas:
Manual de Oslo
Proposta de Diretrizes para Coleta
e Interpretação de Dados sobre
Inovação Tecnológica
De Consumering a 6 de Junho de 2009 às 13:22
Fico com a impressão que está a ser irónico.

De Anónimo a 8 de Junho de 2009 às 15:03
Não é um comentário irónico.
Reflete todos os problemas que tenho encontrado sempre que se conversa ou discute Inovação.
Todos têm a sua interpretação só que a explicação do termo já está perfeitamente definida e tornada pública pela UE, desfazendo qualquer dúvida sobre diferentes signos criados pelos interlocutores.
De Miguel a 20 de Junho de 2009 às 17:51
Como sempre, existe um fundo de verdade nas duras palavras do amigo HA, mas existem também honrosas excepções que contradizem estas conclusões de sim ou sopas.
Claro que:
Não há dúvida que o conceito de inovação é muitas vezes confundido,
não há dúvida que nem todos entenderam o potencial da inovação,
não há dúvida que as práticas de inovação estão longe de ser as mais adequadas,
não há dúvida que existem alguns enganos como os anunciados que não vão produzir os resultados esperados,
não há dúvida que existem pessoas a defenderem visões parciais da inovação enquanto ferramenta, campanha, acção ou apenas processo,
não há dúvida que tudo isto contribui para resultados menos bons,
não há dúvida que isso ajuda ao descrédito da "verdadeira Inovação (I grande)".

No entanto, como todos sabemos, não há dúvida também que existem casos e gentes com as ideias claras e que vão continuar a produzir resultados. Espero poder vir a ser um deles ;-)
De Consumering a 21 de Junho de 2009 às 17:20
Uma tarde na Cotec e rapidamente se fica preocupado com a falta de I grande que por lá anda...

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