Domingo, 5 de Julho de 2009

Deves ser muito esperto, tu

Há um fenómeno humano difícil de entender: A maioria dos humanos acha-se mais burro do que a maioria dos humanos. É matematicamente impossível acontecer que uma maioria seja menor do que a maioria. No entanto, a maioria das pessoas acha-se mesmo burra. Tão burra que a explicação matemática não os convence.

 

Por se acharem mais burros do que a maioria, é que as pessoas se deixam atascar em supostos esquemas de protecção por nivelamento. As ordens profissionais, os sindicatos e demais grupos de defesas de interesses. Pensam assim:

 

- Se todos os canalizadores ganharam o mesmo, eu que sou mais inapto que a maioria, vou ganhar mais por ganhar o mesmo que a maioria.

- Se todos os engenheiros puderem assinar projectos, eu que sou mais tanso que a maioria, vou continuar a poder assinar projectos.

- Se tanta gente pensou nisso da religião/politica/sistema justiça, então devem ter alguma razão para sustentarem tantas coisas à primeira vista bastante idiotas.

- Se toda a gente no sector de actividade da minha empresa faz disto, eu vou fazer um benchmark e replicar o maior número de técnicas de destruição de valor que encontrar.

- Se proibirem a publicidade enganosa, eu como cretino influenciável, vou ser protegido dessa gente manipuladora.

 

Um efeito eloquente do quanto as pessoas se acham estúpidas, são as paranóias de perseguição que resultam da atribuição aos publicitários de poderes mágicos como o controlo da mente. As pessoas acham que os publicitários são muito inteligentes (vá se lá saber de onde é que tiraram essa impressão) e portanto, temem que esses génios maléficos os levem a comprar o que não precisam, para serem como não querem.

 

Não importa aos medrosos reparar que os publicitários para cumprir com a sua agenda de manipulação só possam contar com coisas tão banais como 30 segundos de televisão e ambientes competitivos. Se o macgiver faz bombas com clipes e o recheio de bolas de Berlim, os publicitários, génios do mal em part-time, certamente conseguem levar multidões ao suicídio económico.

 

Há sobreendividamento? Corte-se na publicidade. Há obesidade, corte-se na publicidade. Há falta de educação, deve ser possível resolver isso com a publicidade. Pois são crentes as pessoas da sua incapacidade de resistir a um slogan. Mais estranho é ver como os publicitários são creditados com poderes de titãs, ao mesmo tempo que se sucedem demonstrações da sua incapacidade cognitiva e falta de discernimento. Como explicar que se acredita que os marketeiros são inteligentes ao mesmo tempo que se assiste aos seus rebrandings, associações de valores, patrocínios aleatórios e notoriedade da publicidade?

 

Deve ser porque as pessoas se acham muito estúpidas, tão estúpidas que nem lhes ocorre que os outros possam ser igualmente tansos. Tão estúpidas que não percebem que a maioria das pessoas não pode ser mais estúpida que a maioria das pessoas.

publicado por Consumering às 20:32
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