Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

É a execução, estúpido.

Ainda há uns dias o grande Seth Godin postava que não sabemos bem o que vai ser da internet e os negócios, ou dos negócios e da internet. É certo que sabemos que estamos no meio de uma cambalhota e muita coisa vai mudar em consequência da dita. Mas é também verdade que não sabemos, exactamente, o que virá a resultar.

 

É até provável que nada mais resulte. Isto no sentido em que não resultarão modelos de negócio previamente definidos em que qualquer palerma que os copie diligentemente atingirá um confortável sucesso.  Tal como teria sido possível fazer no passado, com anúncios de televisão.

 

Este denominador comum até tinha sido comum no passado, desde as pastelarias às companhias petrolíferas. Bastava então copiar o modelo suficientemente cedo na sua expansão para garantir uma vida tranquila. Quase todos os negócios do séc.XX sofreram de um efeito semelhante à corrida ao ouro. Uma vez descoberto o filão era questão de assegurar um lugar e uma picareta que os resultados viriam. Não exigia grande invenção.

 

Infelizmente (para os consultores de benchmaking) esses tempos da imitação fácil não parecem ter sobrevivido ao bug do milénio. As corporações tornaram-se demasiado boas a imitar e a replicar e já não se conseguem distinguir acabando por tornar irrelevantes as boas ideias.

 

Atente-se no microfenómeno dos clubes privados de venda (Gilt Groupe, HauteLook, RueLaLa, Privalia, VentePrivee, ClubeFashion, etc). Por um instante pareceu que alguém tinha descoberto uma forma de vender online. Durante um segundo pareceu que o grande enigma do e.commerce (como pôr aquilo a funcionar) tinha sido resolvido e enfim o retalho estaria condenado. Em menos de nada, mais precisamente ainda antes de se ter tempo de validar o modelo, surgiram por todo o lado uns clones mais ou menos descarados da brincadeira.

 

Junto com a vaga de imitadores veio uma outra de financiamento, crescimento artificial, redução de margens, recrutamento compulsivo, oferta de serviços básicos e demais defeitos do doping com que os venture capitals costumam matar os seus embriões. Para alguns, aqueles que venderam as suas start-ups a tempo, foi a sorte grande que lhes saiu. Para os outros, para aqueles que ainda não venderam a sua posição accionista, será o fim da linha. Agora está a tornar-se evidente que estes modelos de negócio não têm nem modelo, nem negócio.

 

Mais uns exemplos destes e poderemos talvez extrapolar. Numa economia sem fronteiras (como a internet) o valor não está na ideia (que se torna imediatamente acessível e copiável) nem em ser primeiro e executar (porque se pode sempre melhorar a utilização) o valor está na execução (que é onde a porca torce o rabo). Uma diferença importante, que põe em causa as indústrias da consultoria e do financiamento ao vento (venture capital).

publicado por Consumering às 15:23
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