Domingo, 13 de Setembro de 2009

Fizeram tudo o que podiam.

O observador um pouco mais atento pode ver-se tentado a reflectir: “mas o que é que esta gente estava a pensar!?” Complementando com um pouco mais de frieza tende a resultar em: “estão todos doidos!” com “Até se percebe que o director de marketing veja nestas despesas a sua única forma de dormir acompanhado”, mas “e os accionistas? não se passam?”.

 

Este é o tipo de raciocínio acompanha facilmente o mediano intervalo para publicidade em canal aberto. Em vez dos saudosos “mmm que bom aspecto” e “eu quero esta coisa com moléculas que estão aqui a falar” ou mesmo “da próxima vez que for ao supermercado trago um destes que estou a precisar de perder peso”. Ver publicidade na televisão transformou-se num espectáculo de incredulidade. “Serão assim tão estúpidos?”.

 

Os culpados são todos aqueles esforços pseudo-brandificadores onde se desfazem orçamentos colossais em pouco mais de vinte segundos. Quase toda a publicidade da banca, quase toda a publicidade das telecoms, quase toda a publicidade do estado (sim estes também já têm orçamentos exuberantes) está devotada ao onanismo. “Já pensou no que seria a sua vida sem publicidade?” Para o consumidor certamente ela não faz falta.

 

Felizmente o Banif explica-nos. É preciso acreditar. Se nós, humanos tugas, somos o resultado de uma combinação altamente fortuita e improvável de acontecimentos sem nexo, então podemos continuar a acreditar nos maravilhosos resultados de mais um passo inexplicável.

 

Alguns milhões de euros em espaço publicitário sobre-avaliado depois. Depois de contratados os maiores consultores sem qualquer sucesso assinalável no seu histórico. Depois de alterada a cor do logótipo e com a ajuda de uns patrocínios bilionários para ter o nome em camisolas. Não se pode dizer que não tentaram.

 

Afinal de contas é só isto que conta. Não se pode dizer que não tentaram. Tanto dinheiro, tanta mudança de logótipo, tanto reposicionamento, campanha institucional e patrocínios, custaram tanto dinheiro que não se pode dizer que não tentaram. Até mesmo à senhora de Fátima se rezou. Agora se não resultou como devia, não podem dizer que não foi porque não tentaram.

 

 

publicado por Consumering às 09:12
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1 comentário:
De susana coerver a 19 de Setembro de 2009 às 01:21
não podia estar mais de acordo
e depois de olhar, ver e rever, coisa que nenhum consumidor fará, continuo sem perceber.
mas também ponho a hipótese de ser estúpida. deve estar mesmo na cara e eu não estou a conseguir ver!!

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