Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Crise de imaginação

A crise é uma ilusão colectiva que afecta todos aqueles que não se distinguem da mediania, da mediocridade. Quem ouve as notícias fica com a ideia que a crise é um estado sazonal que afecta irremediavelmente todos por igual.

 

Escudados por esta ideia de inevitabilidade os seguidores da crise repetem ad nauseum dois mantras denunciadores da sua falta de identidade:

 

-       quais os sectores que são mais afectados

-       quais as tendências que se deve seguir

 

Disfarçados em milhares de pequeníssimas variações, esta visão compartimentada e seguidista da micro-economia condena quem lhe dá ouvidos a ser parte integrante de uma crise da qual não tem meios para sair. Ao seguir tendências, o melhor que se pode esperar é uma repetição dos resultados dos outros, ainda por cima amputados pela falta de originalidade. Ao seguir os concorrentes as empresas estão a abdicar do seu destino para se tornarem numa presa fácil.

 

O seguidismo da visão sectorial da economia, alem de perpetuar a mediocridade  é ela própria a causa primária da crise. As empresas, organizações ou pessoas que se predispõem a fazer igual ao que fazem os demais, tomando os seus concorrentes por exemplos a seguir, estão a condenar-se à irrelevância e marcar-se como alvos preferências de uma crise, não conjuntural, mas estrutural.

 

Uma crise estrutural, a crise permanente que afecta a economia portuguesa desde finais dos anos 80 é o resultado de uma incapacidade de se destacar, de arriscar, de agir por auto-determinação. A subjugação a ditames de moda, o seguidismo de receitas estafadas, a dependência de mercados protegidos, as limitações impostas pelas regulações, são o pântano em que se afoga a economia.

 

-       Os reguladores, ao invés de aumentarem a competitividade criam barreiras à entrada de concorrentes com limitações de licenças e proibições de operar, tornando os agentes de cada mercado incapazes de se expandir.

 

-       Os grandes grupos económicos diversificam através da auto atribuição dos privilégios das suas compras, subsidiando empresas medíocres mas “do grupo” em detrimento da escolha pela competência

 

-       Os gestores contratam estudos e benchmarks aos seus pares numa procura pelo mínimo denominador comum seguro e inoperante que é em si uma abdicação de gerir

 

-       Os trabalhadores acomodam-se, exigindo cada vez menos responsabilidades, fugindo das avaliações, até que se tornarem em verdadeiros inúteis.

 

Sem autonomia, audácia, risco ou iniciativa não há sucesso.  A crise é um rebanho, da qual só escapa quem estiver disposto a ser ou lobo ou no mínimo a ovelha negra.

 

Em resumo – A crise não é para todos, é só para quem não tem imaginação.

publicado por Consumering às 12:13
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