Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Cristo não percebia nada de finanças

Do ponto de vista limitado e algo mesquinho do lucro, há alguma diferença entre dar e vender. Pode parecer pequena, podem ser apenas uns simples cêntimos. Mas está lá. Cobrar por um serviço ou produto é bastante mais complicado do que oferecer.

 

Ainda assim, algumas empresas, mais os seus gestores e alguns dos seus financiadores parecem ter dificuldade em compreender a diferença que vai do dar ao vender. O caso mais recorrente e cómico é o daquelas empresas “da internet” que criam uma aplicação ou serviço gratuito, arrebanham uns milhões de utilizadores, a maior parte deles atraídos pelo preço e apesar de não terem receitas, esperam conseguir ser lucrativos.

 

Parecendo que não, ao pessoal que acredita que um dia vai conseguir cobrar por aquilo que está a dar não parece, a passagem do estado de ofertante para o estatuto de vendedor não é nada fácil. São muito poucos os casos em que esta transformação funciona. Funciona para os produtos viciantes, como o tabaco ou a cocaína. Funciona para os monopólios, onde qualquer que seja o preço, zero ou infinito, o cliente terá de pagar. Mas não funciona para muitos mais casos. Certamente não parece estar a funcionar para os sites dos jornais.

 

Talvez por suspeitarem desta dificuldade, alguns media online apostaram na pior decisão possível em gestão. O meio termo, a terra de ninguém, o pior de dois mundos. Incapazes de cobrar pelos seus serviços. Alguns meios online só mostram os seus “melhores” conteúdos a quem se registar, um registo que se faz gratuitamente está claro. Naturalmente que lá no site não fazem a menor ideia de como cobrar dinheiro às pessoas que se registaram, como tal continuam com receita zero. Mas ao menos conseguiram aumentar os custos com a criação de um mecanismo de registos. E ainda reduzem o número de utilizadores, ou seja, a parte má da cobrança pelo serviço. Sendo que a parte boa de cobrar é ficar com o dinheiro.

 

Cristo era um indivíduo muito generoso, como tal nunca seria um bom vendedor. Ele sabia-o e por isso terá dito para dar a César o que era de César. Uma lição que parece escapar aos gestores que acham que dar o seu produto é a melhor forma para algum dia o conseguirem vender. Talvez um MBA fosse demasiado avançado. 

publicado por Consumering às 00:20
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5 comentários:
De Leonardo Vieira a 9 de Dezembro de 2009 às 11:24
Mais um excelente artigo deste Blog que acompanho constantemente.
Apesar de concordar consigo que este meio de tentar fazer dinheiro está errado, como penso que os jornais poderão gerar lucro? Ter conteúdo pago ou ter conteudo de graça e esperar pela publicidade?

Abraço
De Consumering a 9 de Dezembro de 2009 às 11:43
Boa pergunta. Para a qual não sei a resposta.

Mas tenho um palpite. Palpita-me que é indiferente.

Por um lado porque os meios online só farão dinheiro com publicidade se o seu conteúdo for tão interessante que gera hordas de visualizações a um custo marginal reduzido.

Por outro lado a possibilidade de fazer dinheiro vendendo acesso aos conteúdos obriga a que esses conteúdos sejam tão bons que merecem que se pague para os ter.

Em qualquer dos casos exige-se do media um conteúdo verdadeiramente excepcional para serem lucrativo. Seja porque toda a gente o quer ver, ou porque vale a pena pagar por ele.

Ora, não me parece que a generalidade dos media tenha um conteúdo assim tão bom. Como tal, o meu palpite é: Regra geral jornais não vão ter lucro porque não têm um conteúdo assim tão bom. A prazo estarão quase todos mortos.
De Leonardo Vieira a 9 de Dezembro de 2009 às 11:51
Bem isso não é muito moralizador para quem está no último ano de jornalismo, mas a verdade tem que ser dita=)
Estou a realizar o meu projecto final de curso que será um site com noticias de tenis agregado a outro site com venda de raquetes. Desta forma estou a tornar um conteudo noticioso financeiramente viável através da venda de material para o meu nicho de mercado. Será uma boa maneira de se conseguir lucro ou apenas mais uma tentativa frustrada de um orgão noticioso conseguir ganhar algum dinheiro?
De Consumering a 9 de Dezembro de 2009 às 18:28
Olá,
Um site de venda de produtos ténis é à partida mais viável do que um projecto editorial. Pelo menos tem uma fonte de receita prevista.
O conteúdo editorial pode ser uma boa forma de aumentar a relevância do site e como tal melhorar a rentabilidade do projecto.
Isto tudo em teoria porque uma coisa que se aprende na net é que os planos são de uma utilidade limitada e que para chegar ao sucesso é preciso avaliar rapidamente e corrigir continuamente.
A propósito de avaliar, convém ter sempre a frieza para não insistir em algo que se demonstra não funcionar, o que é difícil de fazer quando se é o autor moral da ideia. Eu pelo menos sofro imenso disso.
De Emprestimo Pessoal a 10 de Dezembro de 2009 às 16:09
Parabéns pelo site!

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