Sábado, 12 de Dezembro de 2009

O Lucro de uns é o seu prejuízo

É certo que a maioria das empresas para lucrar precisa de vender.  Mas não vender qualquer coisa. Nem a qualquer preço, está bem de ver.

 

Só se pode considerar lucro aquele que resulta da venda de algo que seja possível repor. A produção de uma fábrica, o trabalho das pessoas, a transformação de algum bem. Podem ser repostos e portanto a venda pode gerar lucro.

 

Quando se vende algo que não insubstituível está-se a trocar um bem por dinheiro, pode ser um óptimo negócio, mas não será certamente lucro. Não há lucro possível em vender os anéis. É certo que se ficam com os dedos e os anéis são algo completamente inútil, mas a receita da venda não é bem lucro.

 

Pior ainda é quando se vende algo que, ao contrário dos anéis eram os próprios dos dedos. Do mesmo modo que não faz sentido falar em lucro na venda da casa de uma família que deixa de ter onde morar. Não faz sentido falar em lucro como resultado de vender subsidiárias ou participações. Como por exemplo ocorreu esta semana em que os jornais celebraram os lucros da venda dos bancos em Angola. Não foi lucro. Foi um negócio. Pode ser bom negócio, vantajoso no sentido em que o dinheiro resultante é mais útil do que o dedo que se cortou. 

 

Mas não é lucro. Tal como não são lucro as inúmeras operações contabilistas que entretêm as cúpulas das grandes organizações. Se os respectivos accionistas tivessem juizo nunca tolerariam bem: 

- As operações de "sell e lease-back" de imobiliário

- A contabilização de activos intangíveis (como a marca)

- A reavaliação de activos dos quais já se tinha posse

- A emissão de dívida para pagar dividendos

- As restruturações accionistas de baralhar e voltar a dar como as operações harmónio

 

No entanto, estas trapalhadas compõem o essencial dos lucros de tantas empresas que chega a ser assustador pensar que estas na verdade são uns monos que não lucram nada. Isso sim é assustador. Olhar para tantas das empresas que deviam compor o tecido económico de um país e reparar que bem vistas as coisas parece que os lucros que têm não resultam de serem competentes, mas sim de se baralharem com o número de bolsos onde escondem as dívidas.

 

Exemplos curiosos: 

 

- A Vivo anuncia que pagou dividendos aos accionistas PT e Telefónica. Em contrapartida cancelou o pagamento do mesmo valor (sem impostos) sob a forma de comissão de gestão.

- O FC Porto SAD apresenta receitas monstruosas da venda de jogadores e participações na Liga. No entanto precisa de emitir um empréstimo obrigacionista para pagar contas.

- A Sonae Sierra lucra centenas de milhões de euros. Mas a operação é, se alguma coisa, deficitária e os lucros são quase sempre resultantes da reavaliação dos imóveis.

- PT, Optimus, Banif, entre outros, realizam caríssimas operações de rebranding permitindo reavaliar por decreto as suas "marcas" em milhões de euros.

- Os bancos com presença em Angola (BPI, BCP, BES) contabilizam como lucro (e uma boa parte do seu lucro) a venda pouco negociada de participações a sócios locais.

 

São apenas alguns exemplos, públicos e notórios de como alguns lucros não são bem o que parecem. Isto porque lucro, a sério, aquele que aumenta a riqueza das pessoas envolvidas é o lucro resultante da transacção com mais valia. Só que esse lucro não só dá muito trabalho, como nem todos sabem como o conseguir.

 

 

 

publicado por Consumering às 12:00
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