Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Os Bancos saberão ser Bancos?

Quem acompanha as notícias económicas não pode deixar de se preocupar com a situação bancária. Bancos aparentemente sólidos (como o BCP) são ameaçados de falir a qualquer momento, enredados em acusações de má gestão das suas participações. Enquanto a regulação do Banco de Portugal, já se revelou desleixada, fechando os olhos a evidentes casos de polícia (como o BPN).

 

Quem não pensa muito sobre os assuntos, pode até concluir que estes e outros casos que estão a afectar a indústria bancária são as consequências de uma crescente complexidade do negocio bancário que torna muito difícil a sua operação e basicamente impossível aos comuns mortais a sua compreensão. De facto, ouvindo falar de Tier 1, mark to model, Credit Default Swap, entre outros mimos, fica a ilusão que estamos perante um negocio incrivelmente complexo e portanto falível.

 

O que muito pouca gente repara é que, na sua essência, os bancos, como todos os negócios, são uma actividade simples e sem grande dificuldade. Cobram por empréstimos, pagam por depósitos, e com isso têm custos de operação que devem ser pagos pela diferença. Assim, os bancos, sempre que compram coisas mais caras do que vendem, gastam mais do que ganham ou se metem em negócios que não compreendem, dão por si em grandes alhadas. Como de facto acontece em todos os negócios.

 

O problema da banca, a de retalho, que consiste na parte importante que é preciso regular e defender, pois afecta a vida das pessoas, foi que nenhuma destas condições básicas para a saúde de um negócio foram preservadas.

- Os bancos emprestavam dinheiro mais barato do que o conseguiam obter. Com spreads de 0,25% que não obtinham para si e extravagantes financiamentos a 100% de bens de valorização duvidosa como apartamentos suburbanos ou acções.

- Gastaram tresloucadamente em coisas não produtivas, como as suas agências vistosas, rebrandings babilónicos e incontáveis privilégios para os seus ociosos empregados.

- E para culminar, meteram-se avidamente em negócios que não compreendiam, a ponto de serem donos de quase todas as empresas do Pais, do cimento à telecomunicações, passando pela refinação.

 

Em qualquer negócio, qualquer um destes pecados é mortal, a banca foi mais longe, e os cometeu a todos. Aliás, só não está toda morta porque a mantém ligada à máquina uma particularidade do seu negocio banqueiro: Quando alguém lhes confia o seu dinheiro, os bancos não precisam de o devolver no imediato. Assim eles podem gastar esse dinheiro que lhes foi confiado em coisas parvas como arte ou patrocínios e apesar da evidência que o gastaram, os bancos podem alegar que têm agora mais dinheiro do que tinham antes de o gastar. Parece complicado, mas é apenas porque não faz sentido, o dinheiro gasto não existe mais, não é um activo e foi assim que o BPN conseguiu destruir uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

 

A maior demonstração que os bancos não percebem nada do que estão a fazer é que se limitam a anunciar preço (os juros) como a única vantagem de escolher o seu serviço, destruindo valor na sua competição para o fundo e anulando a sua diferenciação em contínuas guerra de taxas. Ignorando até que, para além da confiança (o pão com manteiga da categoria), a qualidade do atendimento é o principal critério de escolha de um banco, mais importante que a remuneração e estranhamente um item em que nenhum dos bancos comerciais parece preocupado em se destacar.

 

A lição a tirar daqui é que um banco, como todos os outros negócios, é brutalmente simples. Vende-se mais caro do que se compra. Não se gasta mais do que se ganha. Faz-se apenas o que se sabe fazer bem feito. Continuando assim, corre tudo bem. Esqueçam-se destas pequenas lições de mercearia e já sabem, a matemática não perdoa.

 

publicado por Consumering às 00:49
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1 comentário:
De lookingforjohn a 23 de Julho de 2010 às 00:24
fantástica análise!

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