Domingo, 1 de Agosto de 2010

Enough about you, lets talk about me

Por mais que o afirmem. É impossível haver muita gente solitária. Especialmente quando vivem todos num só espaço geográfico.  Pois que, se essas pessoas estão juntas, não estão solitárias, é uma simples dedução.

 

Ora, do que sofrem as pessoas que se queixam da sua solidão, não é da falta de companhia, é de não terem quem as oiça. Isso sim é possível, frequente e muitas vezes merecido. No meio das multidões que enxameiam as cidades, falta, de facto, quem tenha paciência para aturar certas criaturas.

 

Depois, quem não tem quem os ature, queixa-se da sua solidão, mas está a usar um termo errado. Está a cometer um equivoco de linguagemcomum e que uma vez desmascarado vem explicar porque é que os conteúdos não têm valor e porque é que os midia estão tramados se continuarem a querer cobrar às pessoas erradas.

 

Os diálogos entre pessoas são uma forma equilibrada de fazer com que todos possam dizer alguma coisa (que é o seu objectivo) sob o preço relativamente baixo de ouvir o outro. Portanto, o problema dos ditos solitários é que não conseguem equilibrar a sua expectativa de falar com a satisfação da necessidade dos outros em também serem ouvidos.

 

Quando há um desequilíbrio entre oferta e procura, tende a estabelecer-se um mercado. Ora foi isso mesmo que ocorreu com os midia no século vinte. Efectivamente pagavam às pessoas para as ouvirem a anunciar sabonetes. Pagavam sob a forma de entretenimento grátis e novelas num mundo em que a coisa mais divertida que as pessoas assistiam era à procissão no dia da santa.

 

Com o tempo, o entretenimento tornou-se tão abundante que começou a perder o valor da escassez e foi ficando cada vez mais difícil subornar pessoas com fogo de artifício para as obrigar a gramar com anúncios, tempo de antena ou apenas a vaidade de alguém. A internet foi o culminar do processo, acabando de vez com a possibilidade de pessoas pouco mais do que comuns serem pagas para falar.

 

Agora vamos assistir à extinção em massa das profissões de entreteiner.: Jornalistas, Colunistas, Escritores, Actores, Compositores, Pintores e outros produtores de conteúdos vão ter de se sujeitar ao modelo tiger woods. Ou seja, as suas actividades deixam de ser remuneradas e serão transformadas num hobbies, nas quais pagam só pelo privilégio de falar no mesmo espaço em que falam uma mão cheia de super-estrelas.

 

Os meios, os canais de distribuição destes conteúdos, se querem sobreviver, precisam de deixar de cobrar à audiência para passar a cobrar aos autores. Deixem de pagar aos colunistas e cobrar aos leitores e façam ao contrario. Cobrem aos pintores e paguem para as pessoas para estas irem vê-los às suas galerias.

 

Ninguém quer ouvir, todos querem falar e se há dinheiro no meio disto está em cobrar às pessoas para estas terem audiência. Oiçam o conselho que é grátis.

publicado por Consumering às 11:03
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2 comentários:
De lookingforjohn a 26 de Agosto de 2010 às 11:13
hmmm... um post que reverte o pensamento, que joga com opções futuras mas também com algo que já é, em parte, realidade, e que faz pensar...
A minha dúvida é se o contexto não passará antes por uma continuidade, no sentido de que quem paga a quem venha a depender de quem tenha mais força, ou seja, de quem vai dar dinheiro a ganhar a quem...
Exemplo: se um canal de TV quer ter lá os U2, e vai ganhar audiência com isso, e vai ganhar patrocinadores com isso, então tem que pagar aos U2. Mas se o Zé da Esquina quer aparecer na TV, então é ele que tem que pagar para através daquele meio fazer a sua promoção...
Visto assim... parece-me que é um pouco aquilo que já acontece... ou estou a perceber mal a questão?
De Consumering a 26 de Agosto de 2010 às 14:14
Que um pouco já acontece estás a perceber bem.
A diferença é que no futuro breve ter os U2 não será garantia de ter mais patrocínios e portanto esse sentido do financiamento tenderá a esgotar-se, resta portanto cobrar do outro lado, aos zé-ninguéns

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