Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Beber para curar a ressaca

Para um alcoólico, o seu problema não parece ser estar com os copos. O seu problema, acha ele, é estar sóbrio. Esta pequena auto-ilusão do dependente é a própria causa da sua desgraça. Sendo que para a maioria das pessoas parece transparente qual a falha lógica que em que os agarrados se estão a afundar.

 

Toda a gente sabe que o primeiro passo para o tratamento é aceitar que se tem um problema e que o problema só pode passar se deixar de consumir. Curiosamente, aquilo que parece óbvio para toda a gente quando se trata do que devem comer ou beber, não é igualmente óbvio quando se trata do que devem comprar ou escolher. Tanto que acreditam na regulação. Apesar da regulação ser uma forma de controlar a mão invisível que asfixia a concorrência, quando a cura necessária não é algemar essa mão, mas sim deixa-la mais livre para actuar.

 

Explicando. Se uma empresa abusa da sua posição, não basta que o regulador procure acabar com esse abuso em particular. Precisa de acabar com a causa do abuso, sendo que a causa é muito simples, é falta de competição. De concorrência. Se uma Telecom cobra demasiado pelas chamadas em Roaming, não chega limitar o preço do serviço é preciso deixar que mais gente possa vender aquele serviço até que um deles resolva baixar o preço. Se as gasolineiras fazem cartel não é preciso uma investigação ou uma multa, basta haver mais bombas de venda de combustível para que compitam entre si. Se um patrão abusa dos seus empregados, não ajuda ter um contrato de colectivo de trabalho que o torne menos maléfico, é preciso falir o homem e as suas ovelhas.

 

Quem não percebe que a regulação dos mercados acrescenta mais camada de imobilização, acabando por evitar a resolução dos problemas, mereciam era levar uma estalada bem dada da mão invisível, de mão aberta. A mão de que precisam os mercados.

 

Os monopólios ou carteis, públicos ou privados, são monopólios ponto final. Empresas como a Ana, Edp, RTP, Galp, Águas de Portugal, não precisam um regulador burocrático que inventa regras para dar ocupação aos pareceres dos juristas. Os monopólios precisam de concorrência e muita, para que sejam forçados a atender aos interesses dos consumidores em vez de sugar a sua mama.

 

Num mercado só existe verdadeira concorrência quando regularmente aparecem novas e vão à falência antigas empresas no sector. Se, como a banca têm todos lucros, ou se como as telecomunicações só joga quem tem uma de 3 licenças, então não há concorrência que chegue e é preciso levar mais gente a entrar ou partir às postas as empresas monopolistas.

 

Regular um monopólio (ou um cartel que para todos os efeitos é o mesmo) inventando regras de serviço, tem exactamente o mesmo efeito que um bêbado a curar a ressaca no fundo do copo.  Parece-lhe que faz sentido, mas só lhe irá trazer uma ressaca pior.

publicado por Consumering às 12:34
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