Domingo, 5 de Setembro de 2010

Ilusão de auto-confiança à escala nacional

Nestes dias de risco de não pagamento das dívidas soberanas, podem ser observados uns curiosos efeitos secundários. Notavelmente a Irlanda, que cedo assumiu ter sido demasiado optimista com os seus gastos e arrepiou caminho, tem sido proporcionalmente mais penalizada do que os Italianos, Espanhóis e Portugueses que malogrado deverem muito mais dinheiro e não terem meios para pagar se têm ocupado maioritariamente de assobiar para o ar.

 

Numa primeira análise parece contra-intuitivo que aqueles que se esforçam para resolver o seu problema sejam penalizados do mesmo modo dos que ignoram o problema. Parece contra-intuitivo porque de facto é o resultado de uma falha de julgamento causada por precipitação. Erro de interpretação no qual caem suficientes dos milhões de observadores que compõem os mercados de emissão das dívidas.

 

Explicando, um pouco melhor, o que se verifica é que de entre os milhões de compradores de dívida pública, há gente suficiente no mundo para cair no mais velho truque de burlão do mundo. A ilusão da autoconfiança. O que estes compradores parecem pensar é que se a Itália não se preocupa com o facto de dever mais dinheiro do que é capaz de produzir, deve ser porque lá têm alguma solução, ao contrario daqueles Irlandeses sem fibra que da forma como tremem em frente a uma dívida de nada estão de certeza em piores lençóis.

 

A aparente auto-confiança do vendedor foi demasiadas vezes correlacionada com qualidade do produto e o truque funciona desde as bancas de contrafacção nas feiras, passando pela publicidade, até que parece ter chegado agora à emissão de dívida soberana. Tal como os clubes de futebol, os Bancos, também os países podem comprar algum tempo se ignorarem os seus problemas e fizerem de conta que têm um plano salvador para o seu problema de viabilidade.

 

O truque é batido: empresas inviáveis, governos sem poder, gestores sem ideias, vendedores sem produto recorrer à ilusão de auto-confiança com tanta recorrência que só espanta que de tão gasta a farsa ainda seja eficaz. No caso da dissimulação de auto-confiança eficácia significa adiar para outra ocasião a confrontação com a falta de plano ou solução. Sendo certo que mais cedo ou mais tarde a verdade vem à tona, para muita gente, já que a falência é inevitável, se vier mais tarde é tanto melhor.

publicado por Consumering às 19:47
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1 comentário:
De porta-estandarte a 6 de Setembro de 2010 às 02:12
Viva1

É pertinente esta farsa toda sobre as economias das nações.

A Irlanda há-de receber os frutos da prontidão da sua reacção.
Os que assobiam para o ar fazem-no porque está mais que sabido que isto está tudo falido e disfarçado pelas engenharias financeiras com truques de contabilidade, que a exemplo, levaram a Grécia à falência.

Dizem os TOCs e ROCs: "no exercício da nossa actividade não temos poder discricionário" significando que se um cliente pretende alterar fraudulentamente a sua contabilidade não lhes cabe a eles impedi-lo. Nós sabemos que são eles mesmo que sugerem, não vá aparecer um colega mais esperto que lhes tire o cliente, ou prove que não sabem o que fazem.
Estes são como parteiras, a parir relatórios de exercícios completamente adulterados. Agora imagine-se na alta finança.
Bastava que fosse possível compreender o nosso orçamento de estado. É por isso que as oposições estão sempre a queixar-se de falta de esclarecimentos. O que querem que se esclareça?
Está tudo falido, digo eu.
O meu maior temor é que um dia apareça por ai um ramo do Hezbolah disfarçado e comece a dar rendimentos sociais aos europeus mais desfavorecidos e cuidados de saúde gratuitos e dê início à tal islamização que o Kadafi tanto gostava que os europeus aceitassem.

Olhe que ao comentar com um amigo meu, disse-me admirado: "E então onde estava o mal", disse-me que todos os que nasceram depois de Cristo são todos cristãos até os muçulmanos. Não é de rir a bandeiras despregadas? Mas olhe que em vez de rir entristeci-me com tanta ignorância e destituição de conhecimento e de valores.

Vai ver que ainda vamos ter de fazer dia santo à Sexta-Feira.

Mas talvez não. Os EUA se não estiverem enfraquecidos, virão cá mais uma vez libertar-nos.

Quase que ficamos só com a confiança de ao menos podermos salvar as nossas famílias!

Obrigado pelo post e pela oportunidade de comentar,

Com cumprimentos,

bento

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