Sábado, 13 de Novembro de 2010

Quem planeia não faz ... falta; nada de útil; a mínima noção.

Se há coisa que não estava nos planos, é a realidade, que sempre se revela mais traiçoeira e imprevisível do que pode antever num qualquer plano ou orçamento. Aliás, esta realidade é facilmente demonstrável pois de cada vez que se diz que algo resultou “em linha com o plano” significa apenas que se tratou de um desapontamento geral e uma porcaria abaixo das expectativas. Essas sim eram boas, mas não estavam no plano.

 

Posto isto, não há disparate mais acabado que a elaboração de planos, de negócio e de marketing e afins, mesmo que ainda a eles se entreguem a generalidade das organizações. Especialmente se forem planos anuais, um prazo no qual nem os pressupostos mais conservadores se mantém inalterados.

 

No tempo em que o mundo era plano, e não se ia a nenhum lado, a vida decorria tão devagar que um plano anual era possível de elaborar com alguma verosimilhança com a realidade. Durante milénios, o ano que ai vem iria ser igualzinho ao ano que agora passou, permitindo transpor do relatório do que se havia encontrado, um plano do que se iria encontrar, a mesma moleza de sempre. Não havia grande utilidade nesse plano, mas era uma forma das pessoas se entreterem no trabalho, pois isto se passou antes de terem facebook.

 

Especialmente inútil, mas bastante animado, sempre foi caso do plano de marketing. Na época em que os métodos de avaliação eram demorados e difíceis de utilizar. No tempo do offline. Os planos de marketing tornaram-se numa variação do jogo de soma nula. “Jogo” porque intenso mas não produtivo,  “soma” porque se limitava a somar o quanto se ia gastar, independentemente de outras contas de efeito que mais se pudessem fazer, “nula” porque era esse o resultado esperado e avaliado do plano.

 

Os planos de marketing sempre foram a versão corporativa do orçamento de estado, um chorrilho imenso de dinheiro que ocupa muita gente, que se procura dispersar por igual por todos os lados, para atingir a neutralidade balofa de nada se beneficiar.

 

Ora agora, o plano saiu gorado, como sempre saem gorados os planos, especialmente numa altura em que a medição de resultados está aí, com um rigor inédito e com uma velocidade tal que já não se faz esperar. Havendo,informação abundante e imediata sobre o efeito das acções, faz algum sentido continuar a esperar um ano inteiro para se corrigir uma acção, apenas e só porque assim se havia escrito num plano arcaico do ano passado?

 

Precisamente, não! A informação, a internet, permite saber ao momento o efeito de qualquer acção, assim sendo, persistir num caminho apenas porque esse erro estava previsto num plano, quando os resultados apurados já indiciam uma quantidade de novas possibilidades, é no mínimo um mau sinal.

 

No marketing, o plano (especialmente o anual) está inutilizado pelo tempo, ainda antes de começar a ser elaborado. E quem o planeia (especialmente se é para um ano) no fundo admite que não pretende avaliar o que está no plano ao longo do tempo que dura o plano. Em suma, manter um plano, num ambiente rico de informação é a demonstração que se vai passar a duração desse plano a ignorar os efeitos que a todo o momento se vão observar.

 

Enfim, o acto de fazer planos é mais uma das actividades de caça-recolecção de informação que se tornaram obsoletos com a total abundância da informação. E como tal, quem se ocupa de fazer planos, pode começar a encontrar um lugar na fila do desemprego, junto aos jornalistas e bibliotecários e tradutores e tanta outra gente que não tem mais lugar na economia deste milénio.

publicado por Consumering às 17:44
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